Redação

Emílio Santiago terá carreira e vida pessoal mostradas em novo documentário

Dono de uma das vozes mais emblemáticas da música brasileira, Emílio Santiago será tema de um documentário. O cantor, morto em 2013 após sofrer um AVC (acidente vascular cerebral) aos 66 anos, permanece como um dos principais intérpretes do país, conhecido por vocalizar sucessos como “Saigon” e “Verdade Chinesa”.

“Para mim, trata-se de homenagear a maior voz e o maior cantor do Brasil”, diz o historiador Marcos Roza, idealizador do projeto. “Conhecer de fato todos os Emílios, não só o cantor.”

Com direção de Paulo Fontenelle, “Emílio Santiago e as Sete Aquarelas” resgatará desde a infância do cantor no bairro carioca do Catete, onde foi criado pela mãe adotiva e se doutrinou com os grandes cantores de rádio da época; passando pelo início de sua carreira ainda durante a faculdade de direito à consagração como intérprete de “Aquarela Brasileira” (1988).

O filme contará com depoimentos de artistas e pessoas que conviveram com Emílio Santiago, como as cantoras Beth Carvalho e Alcione. Paralelamente à narrativa central, serão intercaladas imagens do sambista Wander Pires se preparando para um show em homenagem ao cantor.

Também serão exibidos materiais de um acervo pessoal do artista, guardados em um apartamento em Copacabana sob a tutela de Márcio Tadeu Ribeiro Francisco, que afirma ter sido companheiro do cantor por 18 anos.

Emílio Santiago nunca se declarou homossexual, mas chegou a dar entrevistas sobre o assunto. “Tenho 40 anos de carreira e as pessoas sempre me respeitaram. Ninguém nunca escreveu que ‘Emílio é gay’, nem tive necessidade de abrir mão da minha personalidade”, disse ao portal IG, em 2012.

“Vivo de maneira natural. Conheço vários famosos que vivem juntos há 500 mil anos e não precisam levantar bandeira. As pessoas têm o direito de querer abrir ou não sua vida”, completou na mesma ocasião, afirmando ser a favor do casamento gay.

“É uma coisa de que todo mundo sabia, mas ele não era panfletário”, diz Roza. Para o pesquisador, o artista não teria se assumido por uma questão geracional. “Eles tinham uma relação homoafetiva, mas antes de mais nada era uma relação de amizade. Vamos abordar [o assunto] com essa mesma característica do momento deles, não tão aberto como é hoje, mas de um jeito carinhoso.”

No acervo de Márcio Tadeu, há, por exemplo, uma estante de fitas VHS com registros feitos pelo próprio cantor. “Ele tinha uma mania de usar uma câmera para fazer uma autobiografia, como um diário”, diz Roza.

O pesquisador também destaca uma coleção de letras de músicas escritas à mão por Santiago. “Ele fazia com o próprio punho uma letra muito bem desenhada. Ele escrevia todas essas composições famosas que se imortalizaram na sua voz, era sua forma de decorar as músicas.”

Roza ainda não sabe se irão mencionar o imbróglio envolvendo a irmã do artista, um suposto filho dele e Márcio Tadeu em uma briga judicial pela herança milionária do cantor.

“Emílio sempre foi discreto, sempre aparecia o de melhor dele, e após a morte acontece um barraco desses, é meio estranho”, diz. “Os amigos mais próximos sempre disseram que nunca teve relação com pais biológicos, com a família, e aí aparece um filho, uma irmã.”

Historiador e enredista, Marcos Roza conta ter conhecido Emílio Santiago na quadra da Mangueira e tê-lo encontrado em diversas ocasiões por conta da agremiação e de amigos em comum, como o próprio Márcio Tadeu.

Sua história com o artista, no entanto, veio de muito antes. “Na minha casa tinha um quintal onde era muito comum juntar as panelas e fazer um grande almoço. E o que a gente ouvia nesses dias eram discos de Beth Carvalho, dos Originais do Samba, das escolas de samba e de Emílio Santiago. Ele já era uma marca muito forte na minha trajetória por conta desse quintal.”

O projeto, conduzido pela Urca Filmes, foi autorizado a captar R$ 1.406.300 via leis de incentivo fiscais e deve começar a ser filmado após o Carnaval. A previsão é de que fique pronto no segundo semestre deste ano.

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