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Reinaldo, ex-Terra Samba: “O axé perdeu espaço no Carnaval da Bahia”

Um dos grandes nomes do axé, o cantor Reinaldo, ex- líder do Terra Samba, juntou-se a Tatau (Araketu) e a Ninha (Timbalada) para criar o projeto Axé 90 Graus, que roda o Brasil com shows que relembram os maiores hits do ritmo baiano dos anos 1990 e dos anos 2000. A proposta saudosista da banda tem razão de ser.

“Faltam novos sucessos”, acredita o cantor. Na entrevista abaixo, Reinaldo explica o que originou o Axé 90 Graus e por que ele acredita que o gênero tenha perdido espaço no Carnaval da Bahia.

Por que criar uma banda que só toca sucessos antigos do axé?

Reinaldo – Porque o axé praticamente não existe mais. Ele enfraqueceu e ficou restrito a pouquíssimos artistas. Nos anos 1990, tínhamos uns 30 nomes estourados cantando axé. Hoje só tem Ivete, Bell Marques, Durval Lelis. Faltam novos sucessos. O axé perdeu espaço até no Carnaval baiano. Nossa banda quer resgatar aquele clima gostoso que tinha no circuito Barra Ondina há 20 e poucos anos.

De que forma o axé perdeu espaço no Carnaval da Bahia?

Houve a introdução de outros ritmos e isso esmagou o axé. Chegou rock, funk, música eletrônica. Carnaval da Bahia virou festival de música e ficou muito restrito aos camarotes. Mas verdade seja dita: a prefeitura de Salvador tem tentado mudar esse cenário, investindo em shows com artistas baianos para o público pipoca. A resposta tem sido positiva.

O público sente falta do axé?

Claro. O axé é sensual e tem muita gente bonita. O povo quer de volta a alegria do axé. Os acontecimentos políticos entristeceram a população e o axé renova a felicidade do brasileiro. Parece bobagem o que estou falando, mas não é. Nossa música leva uma vibração positiva e de esperança.

Quem da nova geração de artistas de axé você admira?

É como te falei: não existem novos artistas de axé. Não houve renovação. Para você ter uma ideia, o mais novo que eu me lembro é o Saulo (ex-vocalista da Banda Eva), que já está aí há, pelo menos, 15 anos. Ele até emplacou um hino do Carnaval chamado “Raiz para Todo Bem”. Tem o Felipe, da Banda Eva, que é ótimo. Muita gente fala do Léo Santana, mas ele não é axé. Léo Santana é pagodão.

Qual é a sua história mais bizarra de Carnaval?

Eu já tive uma dor de barriga cantando. Comi uma feijoada no almoço e fui fazer show. Me deu piriri em cima do trio. Me contorcia todo de cólica. Tive que descer, deixar outro artista cantando e correr para o banheiro.

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