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Revisitar o passado, mas sem deixar de pensar no futuro. Essa é uma das principais mensagens do novo EP de Clarice FalcãoEU_ME_LEMBRO_. O trabalho, lançado em março, traz cinco canções de trabalhos anteriores da artista com a estética eletrônica que marca a turnê atual da cantora, inspirada no disco Tem Conserto, de 2019.

A atriz e compositora pernambucana está sempre em evolução. Para ela, o novo projeto serve como um marco do amadurecimento de sua carreira, que já conta com três álbuns de estúdio.

O EP chegou às plataformas no último dia 20 trazendo a inédita “Pra Ter o que Fazer”, lançada anteriormente somente no YouTube em 2012 em um formato voz e violão; duas faixas do disco Problema Meu – “Irônico” e “Eu Escolhi Você” – e duas do seu debut Monomania – “O Que eu Bebi” e “Eu Me Lembro”, que ressurge em um dueto com Letrux. Clarice Falcão conversou conosco sobre esse e outros projetos.

Clarice, o novo EP fala muito sobre homenagens e recriação, e a gente está passando por um momento difícil de quarentena/isolamento. Você acredita que a música é uma forma de ajudar a superarmos isso? Principalmente quando ela aborda a questão da reflexão?

Clarice: Com certeza. Quando eu passei por um momento de isolamento na época do colégio por conta de bullying , sem ter amigos, foi uma coisa que me ajudou muito a superar. Não comparando as situações, mas acho que a música é uma companhia. Música, filmes… Tem uma coisa da música, de você reouvir tanto que uma hora ela realmente se torna uma amiga antiga, parecendo que ela te acompanhou por uma barra. E se ela ainda trata de assuntos que te movem, que te tocam e que te fazem se conhecer um pouco mais, melhor ainda.

Quem te acompanha desde o início da carreira percebe o quanto seu estilo mudou ao longo do tempo. Esse novo trabalho é um marco desse amadurecimento?

Clarice: Cara, eu acho que sim. Porque o Tem Conserto foi uma coisa que aconteceu naturalmente e esse disco é muito uma coisa de olhar para trás e dizer: “caramba, que legal o que eu fiz e como eu faria essas músicas hoje em dia”. Mostra o quanto eu mudei de lá pra cá.

Então é muito trabalhando em quanto eu mudei, mas ao mesmo tempo o que ficou de parecido. A alma ainda está ali, sabe. Ainda sou eu! Ainda são minhas letras, com meu humor. Ultimamente eu venho falando mais sério, mas ainda acredito que meu humor ainda está lá.

O seu último disco (Tem Conserto) tem uma sonoridade diferente dos outros, com muita presença de batidas eletrônicas. Mesmo assim é possível observar nas músicas questões até mesmo pessoais. Como você conseguiu fazer essa fusão?

Clarice: Eu não tinha a menor ideia que ia funcionar. Eu sabia que ia fazer um disco eletrônico, mas não tinha ideia do tema. As composições foram saindo sobre questões a respeito de saúde mental e ansiedade, e aí eu comecei a trabalhar justamente com esse contraste. Eu sempre gostei de trabalhar com o contraste. O Monomania, por exemplo, é um disco fofinho sobre assassinar pessoas e coisas muito pesadas. Eu acho que foi um risco que tomei ao fazer de músicas de pista falando coisas que estão na nossa cabeça, mas ao mesmo tempo tinha algo dentro de mim que dizia que iria dar certo, até porque a pista tem uma melancolia. Tá todo mundo dançando, mas ninguém conversa, então tem muito uma coisa dentro da própria cabeça, existe uma coisa reflexiva na pista. Era isso que me fazia acreditar que podia dar certo essa fusão.

Essa é a segunda vez que você trabalha com o produtor Lucas de Paiva, certo? Já existe uma química maior entre vocês dois no estúdio após o disco ‘Tem Conserto’?

Clarice: Uma história curiosa é que antes de fazer o Tem Conserto, a gente fez um trabalho para o programa “Versões” do Canal Bis, que traz artistas fazendo mini concertos com versões de músicas de outros grupos. Eu inventei de fazer Charlie Brown Jr porque achei que seria divertido. Então antes do disco, a gente passou papo de 3 a 4 meses fazendo, tipo, 50 minutos de música do Charlie Brown Jr. Se isso não dá intimidade para duas pessoas, eu não sei o que dá (risos).

Quando a gente começou a trabalhar, eu tinha muito medo do Lucas, de faltar assunto, sabe. Ele me colocava para tocar as coisas e eu ficava suando frio, mas depois de meses a gente já estava muito brother e agora já passamos dois carnavais juntos, com ele morando aqui em casa. Ele na verdade se tornou um dos meus melhores amigos.

A gente sabe que muitos ainda torcem o nariz para a música eletrônica. Acredita que essa ”mudança” te abre mais oportunidades de trabalhar com novos públicos, trabalhar mais com arranjos e criar uma atmosfera diferente?

Clarice: Pois é, as pessoas torcem nariz para música eletrônica, mas eu lembro quando eu fazia música folk, as pessoas também torciam o nariz. A verdade é que as pessoas torcem o nariz para tudo, né? (risos) Ao invés das pessoas deixarem as coisas existirem, mesmo que não as agrade, existe uma vontade de falar mal e que ninguém goste ou faça, mas imagina que mundo insuportável seria se existisse só um tipo de música. Eu sei que tem essa implicância com música eletrônica, mas meu jeito de trabalhar é fazer o que eu gostaria de ouvir, porque acho que assim o trabalho fica autêntico, fica genuíno, como algo que veio de um lugar real.

Seus fãs falam muito de como você é receptiva, tanto na internet quanto fora dela. E parece que você gosta bastante dessa interatividade, tanto que a capa do EP surgiu de uma enquete online, não é?

Clarice: Sim! Eu gosto muito, mas há um tempo, quando o Monomania estourou, junto com o ‘Porta dos Fundos’, tinha uma certa histeria de fãs invadindo camarim, balançando van, isso me deixava nervosa. Essa coisa de me colocar em um posto de intocável, de diva, isso me deixa desconfortável e nessa época parei de usar redes sociais porque me dava agonia. E aí notei que essa coisa de não usar as redes só me alimentava esse personagem que era intocável e agora falo normal, falo como se falasse com um amigo, brincando e fazendo piadas. A verdade é que não sou muito do ‘meet and greet’, desse tipo de interação que é forçada, que me coloca acima das outras pessoas. Obviamente quando alguém me pede para tirar uma foto na rua, eu tiro, sem problemas, mas eu sempre prefiro quando a pessoa puxa um papo, conta uma história sobre a música que gosta. Eu acho isso uma interação muito mais verdadeira com o artista do que uma foto posada com o sorriso, sei lá, meio amarelo.

A música “Pra Ter o que Fazer” só tinha sido lançada no YouTube em 2012 em um
formato voz e violão. Por que a decisão de retrabalhar a faixa?

Clarice: Essa foi uma música que lancei e não entrou no ‘Monomania’ por não se encaixar no conceito do álbum, já que ela fala de tédio e ócio e o disco abordava coisas como obsessão. Eu gostava muito dela, mas ela não entrou por conta de tema. Então a gente tava aqui em casa sem ter o que fazer após o Tem Conserto, e aí o Lucas (de Paiva) falou “pô, vamos fazer música”, e me perguntou se eu tinha alguma faixa que não cheguei a lançar. Parei para pensar e lembrei dela. Acho que o resultado ficou muito legal. Ficou chique.

Outra música que ressurge nesse EP em uma nova roupagem é “Eu Me Lembro”, lá do seu álbum de estreia. Dessa vez a faixa tem a participação da Letrux no lugar de Silva. Como surgiu esse convite?

Clarice: Então, essa faixa eu sabia que ia ter no EP por várias razões. Primeiro por ser o hit, é a faixa que a galera mais escuta, e segundo por conta do nome mesmo, daquilo de lembrar, mas lembrar de formas diferentes, perguntando quem tá certo ao lembrar de tal jeito. Então eu achei que encaixaria perfeitamente dentro do tema do EP. E a Letícia foi um convite muito fácil, porque ela participou da turnê do Problema Meu, onde eu sempre tentava chamar uma menina para cantar num dos shows. Quando eu chamei a Letícia foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Dei um beijão no palco, foi lindo demais. É uma música teatral, é um diálogo e acho que ela tem essa interpretação dela, uma voz que pega você ao passar muito sentimento, por isso achei que ia funcionar muito bem e fiquei muito feliz com o resultado.

Como está sendo a reação dos seus fãs em relação ao novo EP?

Clarice: Cara, tá sendo muito boa, muito boa! Sempre vai ter gente que diga “ah, eu prefiro o Monomania‘, mas eu entendo perfeitamente. É muito diferente mesmo. Mas eu acho que a graça de streaming, a graça de fazer música em casa e se independente, tudo isso, tá muito naquilo que pude lançar esse EP sem ter custado nada. Só custou nosso tempo, meu e do Lucas (de Paiva), e claro, do Guerrinha (Gabriel Guerra), que mixou. Tipo, não custou estúdio, não custou capa, não custou nada! A graça é que a gente pode lançar sem tirar o Monomania do ar, eu não vou apagar meu passado, mas revisitar é sempre bom, né. Dá aquela nostalgia.

O EP Eu Me Lembro já está disponível em todas as plataformas de streaming. Para 2020, Clarice Falcão promete mais singles e continuar surpreendendo o público com suas canções.

Fotografo, videomaker, editor do site Os Bastidores, estudante compulsivo de TI, fã de Heavy Metal, estudioso da cultura medieval e apreciador de um bom vinho.

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