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Os Bastidores
Editorial

Viola, cultura e tradição: conheça o trabalho dos artesãos da música caipira

O mundo se moderniza e o interesse pela viola só cresce: muita gente tem abraçado esta tradição. Mas você sabe quem está por trás da arte de fabricar este instrumento? É o luthier.

Lucas Machado é um deles. Com apenas 20 anos, ele constrói violas artesanais. E a maior parte dos 20 instrumentos feitos por ele é vendida vendida nas redes sociais.

“Eu tenho o orgulho em dizer que a viola entra no meu estabelecimento como madeira bruta e sai a viola feita”, afirma Queiroz.
“Eu tenho uma atração pela antiguidade. Para falar bem a verdade, eu não gosto de trabalhar com ferramenta elétrica. O que eu posso fazer na mão, eu faço”, acrescenta o luthier.

Uma prova deste gosto pelo que é tradicional está no uso do barrilete, uma ferramenta que parece um pé de cabra e que é utilizado desde a época do Império Romano.

“A vantagem do barrilete é que a gente pode prender uma peça de qualquer medida, de qualquer jeito, em qualquer ângulo que a gente queira”, explica.

Conheça o violeiro ancestral

Levi Ramiro personifica hoje o chamado violeiro ancestral, que é aquele que constrói a própria viola. Ele é um artista com sete ofícios. Fabrica e toca bem cavaquinho, contrabaixo, violão, peças de percussão, viola com corda de aço e viola com corda de nylon.

Ramiro é um artista reconhecido, já gravou 10 discos, mas também já foi metalúrgico. Hoje, ele mistura os conhecimentos em usinagem e ferramentaria com a cultura.

Ele já conta mais de 150 instrumentos feitos com a cabaça, um fruto parente da abóbora que, na forma desidratada, vira matéria-prima para a viola.

“Eu tenho realmente um apreço por essa questão mais orgânica, da possibilidade de pegar um fruto seco para fazer um instrumento. Isso me cativa muito”, explica Ramiro.

A arte dele inspirou gente que agora pratica uma luthieria artesanal, mas praticamente científica.

Luciano Queiroz já foi discípulo de Ramiro e é muito requisitado. É outro que tem como ganha-pão a fabricação de violas.

“Estou chegando numa marca de 300 instrumentos fabricados. Estou há 15 anos fazendo de forma profissional.”

Autodidata, pesquisou física, mecânica, textura de materiais, foi comprando equipamento, assimilando técnicas da “antiga” e “moderna” luthieria.

Queiroz é uma das novas referências no campo do instrumento de precisão e de alta qualidade. Atende violeiros de diferentes repertórios.

Com a viola de Inezita

 

O violeiro Roberto Corrêa é colecionador de violas e conhece todas as variedades do instrumento. Além de ser muito bom na prática. Gravou clássicos sertanejos com a saudosa cantora Inezita Barroso (1925-2015), uma lembrança que ficou na forma de um presente bem especial.

“Quando a gente gravou aquele disco vozes e viola, no lançamento ela me deu a viola. Eu quase morri do coração” lembra Corrêa.

E a paixão dele pelo instrumento musical foi parar na universidade. Recentemente, Corrêa defendeu uma tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP) para mostrar a importância da viola como fenômeno social e cultural.

“Desde a década 1960, tiveram quatro ou cinco acontecimentos, que foram a causa, a gênese do avivamento da viola, a expansão da viola no Brasil”, explica.
Entre os fatos que Corrêa elencou para explicar o aumento do interesse pelo instrumento musical estão o toque aperfeiçoado por Tião Carreiro que ficou conhecido como pagode. Ainda nos anos 1960, a música “Disparada” ganhou o Festival de Música Popular Brasileira, e a batida, na viola de Heraldo do Monte, foi um destaque.
Depois, começaram a surgir as orquestras de viola. Hoje, só em São Paulo, existem mais de 200. Na década de 1980 surgiu o violeiro Almir Sater, que levou sua música para as novelas.
“Almir Sater popularizou a viola, ajudou a popularizar o instrumento, além das orquestras de viola se esparramando pelo Brasil. É uma espécie de movimento cultural”, afirma Roberto Corrêa.
Um movimento que não foi só de querer ouvir, mas também de tocar o instrumento. Colocando uma demanda jamais vista no setor.

Mercado da viola

A viola tem um mercado expressivo dentro do agronegócio. Por mês, são vendidas cerca de 1.500, com preços que variam entre R$ 300 a R$ 15 mil.

José Roberto Rozini é o dono da única grande fábrica de instrumentos de cordas que restou em São Paulo. Ele afirma que produz cerca de mil violas por mês.

Em 1995, Rozini começou com dois luthiers. Hoje, a indústria conta com quase cem funcionários.

É uma linha de produção, mas trabalhando artesanalmente cada etapa: desde a laminação da madeira até a montagem, pintura e teste dos instrumentos. Em quase 25 anos, cerca de 350 mil violas saíram da fábrica.

“Quando eu falo esse número, o povo fala ‘quem é que compra tanta viola assim?’. Realmente, tem um mercado bem grande”, explica.

Para ele, a música tradicional do interior, ou música caipira, só cresce no país e vem conquistando novos públicos.

“A música (sertaneja) universitária se impôs. Agora, com uma tendência fantástica que são as mulheres tocando, coisa que 10 anos atrás não existia. Hoje, elas estão lá no auge, e eu tenho que continuar a fabricar violas para elas, né?”, completa Rozini.

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