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Os Bastidores
Editorial

Beth Carvalho faria hoje 73 anos

Beth Carvalho

5 de maio marca a data de nascimento de Beth Carvalho. Hoje seria o 73º aniversário de um dos grandes ícones do samba, que morreu na última terça-feira, por conta de uma infecção generalizada. O dia seria marcado por uma homenagem a ela, em São Paulo. Músicos que a acompanharam nos palcos por cerca de duas décadas chegaram a convidá-la para a edição deste domingo do Quintal dos Prettos, uma roda de samba focada nas tradições do estilo, que agora seguirá com sua programação com uma pontada de tristeza, mas ainda em memória à sua madrinha.

Os irmãos Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira, da dupla Prettos, são os idealizadores do Quintal dos Prettos e foram parceiros de Beth nos últimos 20 anos, viajando o mundo ao seu lado. Estiveram presentes também no último show da carioca, que ficou marcado pela superação: ela cantou deitada em um divã, no Rio de Janeiro, em setembro de 2018.

“Fazer o último show foi de suma importância pra gente, foi um momento de carinho intenso, porque a Beth é a maior representação do samba na nossa vida”, relembra Magnu, que toca pandeiro. Na ocasião, Beth comemorou 40 anos do álbum “De Pé no Chão”. Ele enxerga um recado na insistência da sambista de fazer o show, mesmo debilitada.

“Acho que o objetivo era dividir com o Brasil essa realidade, que o artista é um ser humano comum, que sofre, tem suas mazelas, suas dificuldades. Tudo isso reflete um pouco do que é o povo brasileiro. Ela tinha isso como bandeira, a representatividade do povo. E é o que vimos no enterro dela, com presença do povo, mostrando que somos todos iguais, somos todos irmãos e vamos todos para o mesmo lugar”, reflete o músico.

Maurílio conta que os anos de convívio fizeram com que banda e Beth tivessem códigos na linguagem corporal, para conduzir as músicas do show. Beth sequer precisava olhar para trás para indicar se queria encerrar uma música ou continuá-la, por exemplo. Neste show, foi um pouco mais difícil.

“A gente estava com a sensação de que ela teria dificuldades por causa da saúde vocal e física. Mas fomos surpreendidos com a grande capacidade que ela tem, o domínio musical, do samba, que ela tem. Mesmo com dificuldade, o show funcionou, foi um dos melhores nesse momento, já doentinha”, relembra Maurílio, que toca cavaquinho. “Foi mais difícil com ela deitada, mas mesmo ali no divã, eu conseguia ver pelas mãos dela a sua condução.”

O músico conta que a grande paixão de Beth era tocar para o “povão”, que ela dizia que era algo que fazia dos shows mais intenso, mais quentes. Em sua última apresentação, a sensação foi de dever cumprido e de que haveria mais pela frente.

“A gente sabia de falhas bem pequenas, porque temos o show na cabeça há anos, mas foi um grande espetáculo. Além da emoção, que foi incrível, a receptividade do público foi demais. Foi lindo. Naquele dia, ela foi pra casa com a sensação de que estava de volta”, diz Maurílio.

Marcando show e homenagem

Beth, mesmo com a saúde enfraquecida, também acreditava nisso. Tanto que, quando Magnu e Maurílio contaram para ela que fariam na data de hoje um show com homenagem a ela e a convidaram para participar, receberam como resposta um convite por parte dela, que planejava uma apresentação no Rio.

Com o baque da notícia da morte, restou a eles manter a apresentação como forma de manter vivo o samba de Beth, e de forma especial, já que o formado do Quintal dos Prettos é diferenciado. A roda é feita sem instrumentos plugados, uma forma de resgatar a atmosfera do samba dos anos 1980 e aumentar a interação com o público. Beth chegou a participar de edições anteriores do evento, batizando-o.

Luto e legado

Diante dos convites mútuos para shows, a morte de Beth acabou surpreendendo a todos. “Foi um baque muito grande. Primeiro porque ela é uma mãe pra gente, aprendemos muito com ela. Só de pensar, me emociona muito. O coração balança”, lamenta Magnu. Maurílio complementa: “Se trata de 20 anos de convivência, uma ligação não só musical mais espiritual também, tínhamos uma afinidade muito grande. Falávamos a mesma língua.”

O músico relembra como Beth os “pegou pela mão” e os levou pelo mundo. “Chegamos a ficar dois meses na estrada juntos e todos os dias a gente tinha aula de política, musicalidade, cultura, arte, sociologia. A Beth era uma mistura de socióloga, com psicóloga, política, ela era tudo isso ao mesmo tempo, constantemente. E uma pessoa que se entregava para a música. Nunca vi alguém amar tanto o trabalho como a Beth Carvalho.”

 

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A parceria custou um emprego para Maurílio. “Perdi meu trabalho, porque no dia que eu a conheci, cheguei 10h30 da manhã na empresa, dormi, e não abri a porta para o pessoal porque eu estava dormindo. Fui mandando embora!”, ri ele. “Ela se divertia com essa história.”

Outro fato marcante era a reverência que ela fazia a Martinho da Vila. “Ela dizia: ‘O Martinho me ensinou tudo isso, eu tive uma aula de Brasil com o Martinho da Vila. Então eu quero passar a mesma coisa pra vocês'”.

Ele ainda conta o segredo para ela se dar bem no palco: “Ela dizia que o que trouxe esse domínio foi o teatro. Então ela sempre contrata os melhores diretores artísticos, e sempre se preocupou com os textos entre uma música e outra. Ficaria horas contando histórias dela. Hoje vai ser bonito comemorar o aniversário. Não será de corpo presente, mas o espírito dela vai estar vendo e ouvindo, onde quer que esteja”, finalizou Maurílio.

SERVIÇO

Quintal dos Prettos
Data:
 05 de Maio (domingo), às 14h
Local: Espaço Maria Zélia
Endereço: Rua José Pinheiro Bezerra, 100 – Belenzinho – São Paulo
Ingressos: http://bit.ly/2XEkaCR
Classificação: Livre

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